"Não me vão dobrar". Cotrim acusado de assédio reitera estar de consciência tranquila

Depois de 30 mulheres que trabalharam diretamente com João Cotrim Figueiredo terem afirmado, em carta aberta, que "nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados", o candidato à Presidência da República veio reiterar que está de "consciência tranquila" e deixou uma garantia: "Não me vão dobrar, não me vão parar".

Cristina Sambado - RTP /
Miguel Pereira da Silva - Lusa

Na segunda-feira, Cotrim Figueiredo classificou a denúncia de assédio sexual de que foi alvo, por parte de uma antiga assessora parlamentar, como "absolutamente e completamente falsa", prometendo interpor uma queixa-crime que espera vir a ser apresentada antes da primeira volta das eleições, agendada para o próximo domingo.

"O assunto é de facto muito doloroso e quero apenas dizer que está em curso a entrada de uma queixa-crime por difamação, só espero que o meu advogado confirme em que data é que pode ocorrer. Eu gostava que fosse antes do fim da campanha eleitoral. E dizer que, se o timing é realmente suspeito, tiver a ver com alguma tática política contra a minha candidatura, com medo do que possa fazer sombra ou excluir alguém da segunda volta, não é isto que me vai travar", afirmou esta terça-feira numa ação de campanha em Viseu.

Segundo o candidato, estas situações “são muito difíceis de digerir e muito doloroso. Eu não vou transformar isto numa espécie de adivinha de natureza política, ou uma teoria da cabala. Há quem tenha por função investigar essas coisas”.
Sobre o facto de a ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal trabalhar atualmente no Governo, Cotrim frisa que "parece uma informação factual relevante" que "pode indiciar que num órgão de soberania da Nação está alguém que publica mentiras".


“Eu não vou misturar a minha questão pessoal e a minha ofensa na reputação pessoal. Numa questão política. Digo apenas que se foi feito com esse intuito, fosse por quem fosse, não me vão derrubar, não me vão parar, porque tenho a consciência completamente tranquila. Não serão este tipo de manobras, do mais sujo que existe na vida política, que me vão fazer mudar”.

Cotrim Figueiredo assumiu que os últimos dias de campanha eleitoral têm sido complicados devido às duas situações que o envolvem. O alegado apelo ao voto em André Ventura na segunda volta das eleições e o caso de assédio sexual de que é acusado.

"Foram de facto horas e dias difíceis", afirmou o candidato que deixou uma palavra de apreço a todos os "os que vierem publicamente e privadamente expressar muitas centenas de mensagens de solidariedade de homens e mulheres, pessoas que trabalharam comigo".

Sobre a possibilidade destes dois casos o fazerem perder terreno na corrida a Belém, o ex-presidente da Iniciativa Liberal foi perentório: "Não sei, veremos mais uma vez".


No entanto garante: "Eu hoje acordei com confiança e força redobrada, especialmente pelas pessoas que me deram essa força e já me reergui. Ergui-me e vamos à luta e ninguém nos poderá parar”.
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